Fórmula 1 · Autódromo José Carlos Pace · Interlagos, SP · 06–08 de Novembro de 2026
O Grande Prêmio de São Paulo é uma das etapas oficiais da Fórmula 1, realizada anualmente no Autódromo José Carlos Pace, em Interlagos. Como etapa de um campeonato mundial gerido pela Liberty Media, o GP São Paulo opera como submarca regional de um IP global.
Em 2024, foi criada uma identidade para o GP São Paulo. A aplicação concentrou-se quase inteiramente na cenografia do autódromo, com pouca consistência nos demais pontos de contato. O resultado é uma marca que emociona dentro de Interlagos, mas que se dilui fora dele.
O objetivo deste projeto é fazer essa mesma emoção ultrapassar os limites de Interlagos em todos os pontos de contato — unificando o nacional e o global em uma única e poderosa presença de marca.
"O desafio não é criar uma identidade do zero. É resolver uma desconexão."Briefing GPSP · Tunnel 2025
A identidade que existe funciona muito bem no espaço físico — a ponto de a própria F1 ter pedido autorização para que a Turquia (etapa prevista para 2027) se inspire no case brasileiro. O problema está na ausência de sistema fora do autódromo.
O GP São Paulo não é um evento sazonal: é um produto de alto desempenho. A demanda é 8 vezes maior que a oferta de ingressos. O impacto econômico ultrapassa R$ 2,3 bilhões. E apenas 10% a 20% do público total está fisicamente no evento — a maioria acompanha pelos canais digitais.
"Nós não somos a Fórmula 1.Posicionamento oficial · GP São Paulo
Somos a etapa brasileira da Fórmula 1."
A relação com a marca global é de coexistência, não de substituição. O GP São Paulo deve respeitar as diretrizes da F1, mas construir autonomia suficiente para sustentar comunicação própria fora do autódromo.
A intenção declarada do cliente é direta: que as pessoas lembrem do GP de São Paulo independentemente da Fórmula 1, e que a marca se torne tão desejável a ponto de os carros quererem envelopar com ela.
O KPI não é venda de ingresso — o evento já é desejável e esgota em 7 minutos. O objetivo é engajamento, identificação e brand awareness com personalidade própria.
Quando alguém pensar no GP de São Paulo daqui a três anos, qual é a única palavra que deve vir à cabeça? Essas são as três palavras que o cliente entrega como personalidade central da marca.
Esta é a definição mais sensível do projeto, e o cliente foi cirúrgico. A brasilidade do GP São Paulo é um Brasil paulista, urbano e plural — não o estereótipo tropical para gringo ver.
A identidade já flertou com caju, laranjinha e curva do sol — e foi barrada pelo CEO. Não é farm, não é fazenda. Ninguém vai ao GP de vestido solto e chinelo. É asfalto, cimento, skyline. Um Brasil mais Nova York do que Rio de Janeiro.
"São Paulo é Brasil, mas pode ser maior do que o Brasil." A própria F1 já trocou "Brasil" por "São Paulo" na nomenclatura oficial — isso é parte do branding.
A diferenciação não está na pista (que a organização não controla), e sim no entorno que o GP São Paulo produtiza melhor do que qualquer outra etapa do calendário. A regra de ouro do conteúdo: o trabalho da marca é fazer os feitos da pista chegarem a outros lugares e transformar o gesto em memória.
A ambição é ser tão expressivo quanto Miami, tão bem construído quanto a Holanda, com a longevidade de um Grand Slam — e nunca genérico como o Canadá. A referência de legado é o boné Senna/Banco Nacional: uma marca que vira moda porque a categoria virou moda.
Este é o ponto crítico de execução. A Liberty Media / FOM controla o uso da marca Fórmula 1, e o mapa do que pode e não pode precisa estar claro antes de qualquer linha ser desenhada. O caminho é construir personalidade própria — cor, tipografia de apoio, lettering, motion, fotografia — usando menos os grafismos da F1 para ganhar identidade.
A marca precisa funcionar com a mesma força em todos os pontos de contato — dentro e fora de Interlagos, no digital always on e nas ruas de São Paulo. Tudo deve ser sistêmico, replicável e escalável.
A Tunnel foi contratada para dois níveis complementares: o sistema estratégico de marca (brandbook) e a expansão da marca em movimento (motion system). Ambos contratados em conjunto, desenvolvidos em continuidade.